A Clivagem e a Polarização Psicológica: Entendendo Profundamente

Clivagem e Polarização na Psicanálise

Clivagem e polarização são conceitos fundamentais na psicanálise, frequentemente associados a mecanismos de defesa em personalidades complexas. A clivagem se refere à visão dicotômica do mundo, onde indivíduos percebem experiências e pessoas como inteiramente boas ou más. Este fenômeno é crucial na psicanálise por revelar camadas profundas do funcionamento psíquico, especialmente em distúrbios de personalidade.

Explorando a Dualidade Psíquica

Ronald Fairbairn foi pioneiro na elaboração da clivagem dentro da teoria das relações objetais, observando que crianças pequenas muitas vezes não conseguem integrar as qualidades positivas e negativas dos cuidadores em uma imagem coesa. Na clínica, essa divisão pode ser percebida quando pacientes oscilam entre extremos emocionais, refletindo um mecanismo de defesa que visa proteger o ego de uma percepção insuportável da realidade. Um exemplo clínico pode envolver um paciente que idealiza um terapeuta, mas ao percebê-lo como falho, muda para uma visão completamente negativa.

Clivagem e Polarização nas Relações

A clivagem não afeta apenas o mundo interno do indivíduo, mas também suas relações interpessoais. Em casos de transtorno de personalidade borderline, por exemplo, as relações são frequentemente instáveis devido a essa visão polarizada. A pessoa pode iniciar um relacionamento idealizando o outro, mas qualquer desapontamento, por menor que seja, pode levar a uma rápida desvalorização do parceiro. Esse padrão mantém o ciclo de sofrimento psíquico, dificultando a construção de vínculos duradouros e saudáveis.

Conclusão

Compreender a clivagem e suas manifestações é essencial para aprofundar a análise e promover uma integração psíquica mais saudável. Para aqueles que vivenciam essas polarizações, a busca por um psicanalista qualificado pode ser um passo valioso na jornada de autoconhecimento e equilíbrio emocional. A prática terapêutica contínua pode fomentar o desenvolvimento de uma perspectiva mais nuançada e realista da realidade, favorecendo relações mais estáveis e satisfatórias.

Referências

FAIRBAIRN, Ronald. Estudos psicanalíticos da personalidade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.
KLEIN, Melanie. Inveja e gratidão e outros ensaios. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
WINNICOTT, Donald W. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

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